quinta-feira, 14 de agosto de 2014

No Secrets


Depois de tanto rebuliço por conta desse App Secret, me peguei vageando por ele para entender o que era. Dei muita risada, fiquei constrangida, revoltada... mas o que mais me bateu foi tristeza.

Acho que tudo aquilo que temos na sociedade é resultado e não causa. A causa dos problemas não é o aplicativo, a causa são as pessoas e as relações deturpadas que abrem espaço e "necessidade" de um aplicativo desse tipo.

A idéia do app é que as pessoas pudessem falar sobre coisas que não falariam se não fosse de forma anônima. Se abrir, ler opiniões e "interagir".

Me parece mais um escudo, uma forma de se esconder do que qualquer outra coisa. Apenas abre espaço para que aumente essa sensação moderna de impunidade e dicotomia do "eu" entre real e virtual. Nossa sociedade está tão louca e com alguns valores tão as avessas que gerou uma necessidade tão grande de se expor e expor todos ao redor. Criou-se um aplicativo para fazer isso "sem sofrer as consequências".
Mas será mesmo que precisamos tornar publico algo que é nosso ou dos nossos? Há mesmo necessidade de partilhar tudo com todo mundo, de forma anônima ou não?
Me soa bastante doentio.

Por outro lado percebi o quanto eu tenho sorte, pois na minha vida e no meu ciclo de amigos (o mais próximo, pelo menos) não há necessidade disso. Eu posso ser quem eu sou e ter a opinião que quiser. Não há segredos. Há intimidade. Há particularidades. Há o que é meu e o que é dos outros. Não tenho segredos sobre o que sou, o que gosto, com quem faço sexo ou como faço sexo. Sou da política de que se é bom e não desrespeita a si ou ao próximo, tá valendo. Não vou sair por aí falando ao 7 ventos sobre minhas experiências sexuais, não pq é segredo, mas pq é particular. Diz respeito a mim e a quem estava lá comigo.

Não existe mais privacidade. Não existe mais limite. Não existe mais respeito. Falta amor, sobra descaso.

Os espaços estão se sobrepondo, não sabemos mais onde começa o meu e onde começa o seu. Uma relação invade a outra, que toma o espaço de uma outra coisa, chegando num outro lugar, passando por cima de tudo e de todos o tempo todo.

Foi daí que me veio tristeza. No fundo, está todo mundo tão só, que nos ocupamos do vazio alheio pra evitar pensar no próprio vazio.
Vi um monte de gente sozinha, falando coisas para outras pessoas sozinhas, que buscam intimidade no anonimato e frieza de um aparelho celular. Gente que busca calor e atenção, que quer vida.

Simples, larga essa bosta de celular e vai pra rua, vai conhecer pessoas e parar pra ouvir pessoas e não posts, ler os olhos e não a tela.
Sai da sua zona de conforto e divida uma história falando com a boca e voz, e não com os dedos. Faça amigos e não seguidores.

Essa "culpa" é tua!

Eu não sou responsável por como outra pessoa se sente. Eu. Não. Sou. Responsável.  Esse é um programa de pensamento bem difícil de ...